Article Image



Joseph Stiglitz e Pete Peterson: o que há de errado com a economia americana e como consertá-la

Em duas palestras distintas proferidas recentemente na Wharton, o economista Joseph Stiglitz, ganhador do Prêmio Nobel, e Pete Peterson, presidente do The Blackstone Group, deploraram o que classificaram de estado lastimável da economia americana, apresentando a seguir sua estratégia para recuperá-la. Como era de esperar, as respostas dadas por Stiglitz, ex-presidente do Conselho de Consultores Econômicos do então presidente Clinton, e Peterson, ex-secretário de Comércio de Nixon, pouco têm em comum, embora ambos acusem o governo Bush de não ter tratado de forma adequada algumas das questões mais complexas do país, seja no âmbito da reforma da Previdência Social, seja em relação as déficits orçamentários ou mesmo o desemprego renitente e a desigualdade econômica.

 

Peterson, por exemplo, disse que se os EUA não pararem de incorrer em déficits orçamentários brutais e se insistirem em se financiar por meio da venda de títulos a outros países, o desfecho será trágico. Haverá um momento em que as nações estrangeiras perderão o apetite pelos papéis do Tesouro americano, o que poderia resultar em uma “aterrissagem desastrosa — uma queda abrupta do dólar e elevação acentuada das taxas de juros, com conseqüências terríveis para os mercados financeiros e para a economia”.

 

Peterson, que falou no mês passado durante a Conferência sobre Gestão de Investimentos da Wharton, aproveitou para divulgar seu livro mais recente, Cada vez mais de mãos vazias: como os democratas e republicanos estão arruinando nosso futuro e o que os americanos podem fazer a esse respeito (Running on Empty - How the Democratic and Republican Parties are Bankrupting our Future and What Americans Can Do About It). Peterson, ex-CEO do Lehman Brothers, já tratou anteriormente desse assunto. Em 1995, escreveu Será que a América crescerá primeiro e envelhecerá depois? (Will America Grow Up Before It Grows Old), em que tratava do estado trôpego das finanças da Previdência Social; em 1999, lançou Aurora cinzenta (Gray dawn), um livro sobre as conseqüências financeiras decorrentes do envelhecimento de contingentes da população nos EUA e da Europa ocidental.

 

A queixa atual de Peterson refere-se ao que chama de mentalidade de “corte de impostos e gastança desenfreada” de Washington. Os republicanos — e Peterson é um dos seus representantes mais proeminentes — querem cortar impostos, não importa o quanto isso custe, disse. O presidente Bush, por exemplo, converteu a redução de impostos em peça central do seu programa econômico; já os gastos do governo crescem sem parar a cada dia por meio de programas como o do auxílio-medicamento concedido pelo Medicare (sistema governamental de seguro médico e hospitalar para pessoas de 65 anos ou mais) e as guerras do Afeganistão e do Iraque.

 

“Algumas pessoas esquecem-se de que Forças Armadas americanas, embora sejam extremamente eficientes, são também extremamente caras”, destacou Peterson. “Há uma diferença muito grande em relação aos bons e velhos tempos da Segunda Guerra Mundial, em que a situação das Forças Armadas era mais ou menos parecida com a do funcionalismo federal — dava-se um treinamento rápido a tropas baratas e distribuíam-se equipamentos baratos. Hoje, no Iraque, para manter duas divisões incumbidas das operações de estabilização do país gasta-se US$ 1 milhão por semana.”

 

Quando os legisladores cortam impostos sem diminuir as despesas, recorrendo a empréstimos, estão simplesmente passando a conta para a geração seguinte, disse Peterson. “[O economista] Milton Friedman costumava lembrar-nos de que cortes prolongados de impostos só davam resultado se fossem acompanhados de cortes prolongados de despesas. Na verdade, o que se tem são impostos diferidos, ou um aumento futuro de impostos.”

 

Os democratas têm tanta culpa quanto os republicanos, disse Peterson, embora reconheça que o Partido Republicano controla há quatro anos a Casa Branca e o Congresso. “Se observarmos a história, creio que não erro se disser que os benefícios federais concedidos à população sextuplicaram”, nos últimos 40 anos, “por obra, sobretudo, dos democratas”.

 

Diversos fatores, de acordo com Peterson, tornam mais preocupante ainda a relutância dos políticos em encarar a realidade financeira do país. Nos últimos tempos, o déficit em conta corrente dos EUA, influenciado principalmente pelo déficit comercial, disparou. Nos anos 80, era de 3,7% do produto interno bruto. Hoje, é de 5,7% e continua a aumentar — uma situação que mereceu uma reprimenda do Fundo Monetário Internacional, mais habituado a censurar países em desenvolvimento. “Eles nos lembram de que, em geral, 5% de déficit em conta corrente (em relação ao PIB) já é motivo para soar o alarme”, disse.

 

“Gastamos muito tempo neste país discutindo a terceirização dos postos de trabalho. Gostaria que gastássemos mais tempo discutindo os perigos da terceirização das economias”, disse Peterson. “Os EUA absorvem, direta ou indiretamente, cerca de dois terços dos superávits em conta corrente de todas as nações do globo.” Enquanto isso, o mundo industrial vai envelhecendo. Isto significa que muitos dos países com os quais os EUA contam para financiar sua dívida em breve redirecionarão seus fundos para atender aos seus próprios aposentados. Nesse exato momento, os baby boomers estarão se aposentando.

 

“O problema do envelhecimento no resto do mundo é muito mais grave. Por quê? Porque as taxas de natalidade dos países são inferiores às nossas; além disso, o número de trabalhadores jovens que pagam impostos diminuiu significativamente. A taxa de natalidade na Itália e na Espanha é de 1,2 (crianças por família), quando deveria ser de 2,1 para garantir o sustento da população. O Japão, em razão de uma taxa de natalidade de 1,3, verá o número de trabalhadores que pagam impostos diminuir em 25% nos próximos dez anos.”

 

O histórico de vida de Peterson, porém, é prova de que o fator do envelhecimento talvez não seja tão preocupante quanto ele mesmo prognostica. O autor, com mais de 70 anos, continua a trabalhar em tempo integral. Além de escrever livros e de presidir a Blackstone, Peterson é também presidente do Council on Foreign Relations  e da Concord Coalition; até o início deste ano, presidia também o Federal Reserve Bank de Nova York. É bem provável que, com os avanços da ciência da saúde e uma maior longevidade, outros trabalhadores decidam permanecer igualmente na ativa. O fato, acrescenta Peterson, é que talvez não haja outra alternativa.

 

O que deveriam fazer os EUA, na opinião de Peterson, para fortalecer suas finanças? Instituir a disciplina fiscal em Washington seria o primeiro passo; outra medida necessária seria a reforma da Previdência Social e do Medicare. Com relação à Previdência, Peterson diz que é preciso uma mudança fundamental — o fim da indexação dos benefícios da Previdência Social aos níveis de salários. Essa forma de indexação aponta para o fato de que os EUA não são capazes de superar seus problemas previdenciários com aumentos de produtividade. À medida que a produtividade aumenta, os salários também aumentam, e pelo sistema atual, os benefícios aumentam também. “Se eliminássemos a indexação da previdência aos salários, acabaríamos com os passivos a descoberto da Previdência Social”, afirmou. Sem isso, os legisladores se verão obrigados a cortar benefícios ou dobrar os impostos sobre salários.

 

Peterson defende também a criação de uma poupança nacional obrigatória que garanta às futuras gerações o dinheiro necessário para a aposentadoria, libertando ao mesmo tempo os EUA da dependência de fundos provenientes da aquisição de títulos do Tesouro por investidores de outros países. Os fundos dessas contas seriam geridos por uma comissão privada e investidos em fundos de índices de ações e títulos globais.

 

A reforma do Medicare seria mais complicada ainda, admite Peterson, porque o programa federal de seguro de saúde lida com questões de vida e morte. No mínimo, Bush deveria constituir um grupo formado por indivíduos de boa reputação, semelhante à Comissão do 11 de Setembro, cuja tarefa seria, em parte, analisar os problemas inerentes ao Medicare, bem como suas possíveis soluções, e, em parte, lidar com o problema mais abrangente dos déficits comercial e orçamentário. “O povo americano precisa de doses generosas de verdade”, disse Peterson. “O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer disse que toda sociedade moral será avaliada, em última análise, pelo mundo legado por ela aos seus filhos. Quando penso nos impostos e nas dívidas impressionantes que estamos deixando ao passar a conta para nossos filhos e netos, sou obrigado a reconhecer que falhamos em nosso teste moral.”

 

Corte de impostos para ricos

Para Joseph Stiglitz, que também participou da conferência da Wharton no mês passado, as políticas econômicas de Bush não somente não foram capazes de estimular o crescimento como também maximizaram uma série de problemas, dentre eles, o aumento das dívidas das famílias.

 

A medida fiscal mais característica desse governo — o corte da alíquota do imposto sobre os dividendos das empresas — nem sequer foi pensada originalmente com o objetivo de dar um gás na economia, disse Stiglitz. Pelo contrário, foi um corte que beneficiou os ricos e que o presidente quis passar como estímulo no momento em que isso se tornou politicamente cômodo. “Disseram que um corte nos dividendos provocaria um aumento nos preços das ações, o que, por sua vez, levaria a maiores investimentos. Se pensarmos um pouco como foi que a economia entrou na espiral de queda em que se encontra hoje, veremos que isso se deve, em parte, ao excesso de investimentos.”

 

Stiglitz, depois de presidir o Conselho de Consultores Econômicos de Clinton, foi economista chefe do Banco Mundial, instituição que concede empréstimos aos países em desenvolvimento. Depois de criticar publicamente o banco, e de sofrer uma tentativa de censura por parte do presidente da instituição, Stiglitz, célebre por sua franqueza, pediu demissão.

 

Contudo, como é reconhecidamente um dos maiores economistas do país, suas críticas têm peso. Ele ganhou o Prêmio Nobel por sua pesquisa sobre as formas pelas quais as assimetrias de informação distorcem a eficiência dos mercados. Um exemplo famoso é o dos carros usados, cujo histórico é por demais conhecido pelo vendedor, mas sobre o qual o comprador pouco sabe.  Em 1979, recebeu o prêmio John Bates Clark, conferido ao mais destacado economista jovem dos EUA.  É um dos poucos profissionais que tentam popularizar uma ciência tão lúgubre quanto a economia. Desde que passou a lecionar na Universidade de Columbia, em 2001, já publicou dois livros destinados ao público leigo, dentre eles, A globalização e seus descontentes.

 

Na palestra feita na Wharton, Stiglitz disse que Bush desperdiçou uma oportunidade histórica proporcionada pela produtividade cada vez maior do trabalhador. Quando a economia cresce com força total, o aumento da produtividade eleva o padrão de vida, ressaltou. Quando o crescimento não é pleno, o aumento da produtividade torna-se uma espada de dois gumes. As empresas conseguem subsistir com um número menor de empregados e as contratações tornam-se raras. O desemprego então aumenta. “Nos últimos quatro anos, perdemos o desafio do aumento da produtividade e não soubemos aproveitar a oportunidade que ela nos deu, porque o crescimento econômico foi insuficiente.”

 

Stiglitz estima que o fraco desempenho da economia tenha custado ao país entre US$ 1 trilhão e US$ 1, 7 trilhão nos últimos quatro anos. Esses números representam o fosso entre o produto interno bruto possível e o real no decorrer desse período. Se a economia tivesse crescido 3% ao ano, o país teria agregado um trilhão de dólares a mais  ao seu PIB durante aquele período. Se tivesse crescido 3,5%, teria agregado US$ 1,7 trilhão. “Esse dinheiro poderia ter sido usado para resolver os problemas da Previdência Social, poderia ter atenuado os custos na área da saúde, ajudado a melhorar nosso sistema de ensino ou até mesmo ser canalizado para outra guerra, dependendo do uso que julgássemos mais adequado a ele”, disse brincando.

 

Em vez disso, a economia caminha claudicante, com perda de empregos durante quatro anos seguintes, algo inédito desde a Grande Depressão. “Deveríamos ter criado em torno de seis ou sete milhões de novos empregos. Na verdade, tivemos uma perda líquida de um milhão de novos empregos. O único lugar que registrou aumento de contratações foi o setor público. O setor privado tem um déficit de 1,5 milhão de empregos.”

 

Além disso, o índice de desemprego, de 5,4% em setembro, talvez não reflita verdadeiramente todos os problemas relacionados à falta de trabalho, afirmou Stiglitz. Ele não leva em conta aqueles que, de tanto procurar emprego, desanimaram e deixaram de bater de porta em porta. O índice também não leva em conta o subemprego — isto é, o trabalho em tempo parcial que, em geral, não conta com nenhum tipo de benefício. As pessoas nessa situação querem trabalhar em tempo integral. Pior ainda do que isso, o contingente de americanos inscritos em programas de benefícios por invalidez disparou nos últimos quatro anos, aumentando esse contingente em um milhão de pessoas, ou 15%. “Para quem não consegue emprego, é melhor ser inválido do que desempregado. A remuneração por invalidez é mais alta do que a remuneração paga aos desempregados.”

 

Como os cortes de impostos de Bush não foram de grande ajuda para a economia, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) se viu obrigado a reduzir repetidas vezes as taxas de juros. Os cortes feitos, porém, pouco estimularam os investimentos em negócios. Stiglitz volta a culpar o excesso de investimentos dos anos 90. As empresas, disse Stiglitz, não querem contrair empréstimos, mesmo a taxas baixíssimas, porque até o momento não puderam usar a contento a capacidade que já possuem. A redução das taxas contribuiu para que o valor dos bens imóveis dessem um salto — possivelmente com a formação de uma bolha — desembocando em uma enxurrada de refinanciamento de hipotecas. “É difícil determinar a existência das bolhas; só temos certeza de que havia uma bolha depois que ela estoura”, observou. “O que podemos afirmar é que a política [do Fed] era de alto risco.”

 

Os refinanciamentos podem passar a impressão de bem genuíno. Teoricamente, eles permitem ao proprietário do imóvel amortizar o pagamento da hipoteca. Contudo, muitas famílias estão se aproveitando das taxas reduzidas para se endividar ainda mais. “Com a recuperação da economia, as taxas de juros sobem. Com o acúmulo de dívidas, o orçamento doméstico fica deprimido. Já se tem notícia de índices elevados de falência, tendo-se observado um crescimento de 44% nos últimos quatro anos.”

 

Stiglitz reconhece que Bush teve de enfrentar diversos desafios, a começar pela recessão econômica decorrente dos ataques de 11 de setembro até as guerras do Afeganistão e do Iraque. O presidente disse, e com toda razão, que a economia estaria ainda mais debilitada sem os cortes de impostos, observou Stiglitz. “Mas ninguém, pelo menos ninguém que se deva levar a sério, disse em 2001 que não deveríamos fazer coisa alguma. Portanto, esse não é um argumento legítimo. O correto seria efetuar outro tipo de corte de impostos e de aumento de gastos.”

 

Ele defende um plano de quatro partes que concederia mais benefícios às famílias operárias e de classe média. Ele ampliaria os benefícios aos desempregados para que atuassem como uma espécie de “estabilizador automático”. Se a recessão fosse mais amena do que o previsto, o governo não precisaria gastar tanto. De igual modo, se a desaceleração da economia fosse mais severa, gastaria mais. “Com isso, a economia receberia o estímulo necessário.” Outra forma de estabilizar a economia seria obrigar o governo federal a cobrir o buraco deixado pela queda de arrecadação nos estados e municípios em decorrência de uma possível recessão. “Se não há recessão, não há por que gastar um centavo que seja.”

 

Com relação aos impostos, Stiglitz não teria poupado os americanos mais abonados, que foram os que mais se beneficiaram com o corte de impostos de Bush. Os anos 90 mostraram que o corte de impostos das classes mais ricas em nada ajuda a economia, disse. Em 1993, Clinton aumentou os impostos pagos pelos 2% mais ricos da população, e isso em nada prejudicou a economia. “Na verdade, a renda dessas pessoas continuou a crescer.”

 

Stiglitz também não reduziria o imposto sobre dividendos. Em vez disso, concederia às empresas créditos fiscais para investimento. O corte de impostos sobre dividendos, disse, acabou por isentar alguns dividendos de todo e qualquer imposto. Há empresas que não pagam imposto. Se pagam dividendos, e esses dividendos não têm incidência de imposto para os acionistas, isto significa que esse dinheiro não é tributado pelo governo. “Portanto, o problema agora é ausência de tributação.”

 

Stiglitz não poupa críticas às políticas de Clinton. Em 1997, o ex-presidente também autorizou um corte de impostos (sobre ganhos de capital) que favoreceu, sobretudo, aos ricos em nome do crescimento econômico. “Fui contra, porque achei que se tratava de um equívoco. A medida deu origem a uma bolha tornando a especulação mais atraente. Além disso, seu impacto foi mínimo sobre a economia no que diz respeito ao estímulo à poupança e ao crescimento. A maior parte do dinheiro foi parar nas mãos de pessoas que já tinham decidido no que investir.”

 

Para piorar ainda mais as coisas, o corte de impostos de Clinton, como o de Bush, veio em um momento de desigualdade econômica crescente nos EUA. “Costumávamos pensar nos anos 20 como um período conturbado — a era do Grande Gatsby — em que a desigualdade era cada vez maior. E de fato foi assim. Os 5% mais ricos eram donos de cerca de 30% da renda disponível. Por volta de 1969, a desigualdade havia caído para cerca de 15,9%. O mais impressionante nisso tudo é que voltamos aos velhos níveis de desigualdade daquela época. Hoje, 1% das famílias mais abonadas são donas de 38% das riquezas.”

 

Stiglitz deixou claro que não culpa Bush por tudo. “As forças que determinam a desigualdade são gestadas no decorrer de períodos extremamente longos, e as decisões tomadas hoje podem acentuar a desigualdade daqui a 20 anos. Contudo, em vista do que se tem observado, este não é o momento certo para cortar impostos das classes mais privilegiadas.  De acordo com  a teoria econômica do trickle-down (segundo a qual o crescimento econômico seria decorrente do livre florescimento dos negócios, cuja prosperidade alcançaria as populações de rendas baixa e média, que então se beneficiariam da crescente atividade econômica), nossa única preocupação deveria ser com o crescimento, que beneficiaria a todos. Hoje estamos diante de uma situação oposta à preconizada pela teoria do trickle-down.


Publicado em: 15/12/2004


Printer Friendly Version



Sponsor Knowledge@Wharton

buscar | inscrição | sobre nós | ajuda | início | contato | patrocinadores


O copyright de todos os materiais é propriedade da Wharton School da Universidade de Pennsylvania e Universia. Política de Privacidade