Kevin Lynch fala dos planos da Adobe: vem aí uma nova geração de softwares
Depois de concluir a aquisição da Macromedia, em dezembro de 2005, a Adobe Systems controla agora dois dos padrões efetivos de conteúdo eletrônico — o Formato Portátil de Documento (PDF) e o formato Flash SWF, utilizado para animações na Internet e conteúdo interativo. A Adobe acredita que a combinação dessas duas tecnologias com um conjunto compacto de ferramentas de desenvolvimento de software e interfaces de programas (“APIs”) — criando o que a Adobe chama de “Plataforma de Interação” — deixará a empresa em uma posição que lhe permitirá produzir com exclusividade uma nova geração de ferramentas de desenvolvimento de software.
Conforme Lynch explicou na ocasião em que a Knowledge@Wharton conversou com Bruce Chizen, CEO da Adobe, logo depois da compra da Macromedia, a tecnologia Flash da empresa adquirida foi o principal motivo que levou a Adobe à aquisição. Além de integrar o Flash a outras tecnologias da Adobe, a empresa precisa também convencer os desenvolvedores de que o Flash é mais do que uma ferramenta para criação de animações simples na Internet, e pode servir de pedra fundamental para o desenvolvimento de aplicativos mais complexos na Internet.
Contudo, as ambições da Adobe superam a mera integração de suas ferramentas de desenvolvimento e a ampliação do uso do Flash. Com o advento da nova tecnologia de codinome “Apollo”, a Adobe espera lançar o fundamento de uma categoria totalmente nova de aplicativos.
Atualmente, os programadores criam aplicativos “nativos” tradicionais [isto é, escritos para rodar em um processador específico] que se abastecem das capacidades totais do computador nos quais rodam, mas que se acham atrelados a um sistema operacional específico. Ou podem ainda criar aplicativos “light” na Internet que rodem no browser — e, com isso, trabalhar em qualquer sistema operacional —, mas de capacidades limitadas.
Com o Apollo, a Adobe espera proporcionar uma terceira alternativa com as mesmas capacidades de funcionamento em plataformas diferentes de um browser de Internet, porém com um conjunto mais variado de funções — como, por exemplo, a capacidade de trabalhar mesmo desconectado da Web.
Soluções desse tipo colocam a Adobe em rota de colisão com empresas como a Microsoft, que investe pesado em aplicativos nativos de sistemas operacionais. A Microsoft anunciou o lançamento de produtos que concorrerão com o Adobe em quase todos os frontes — desde o ambiente de desenvolvimento do Windows Presentation Foundation, que fará frente ao Apollo, até novos formatos de arquivos que competirão com o Flash e o PDF da Adobe.
A batalha pelo próximo ambiente de desenvolvimento talvez seja a maior aventura da Adobe em toda a sua história. Antes de participar do painel “O futuro do desktop”, na Supernova 2006, Kevin Lynch, arquiteto chefe de software da Adobe e vice-presidente sênior da Unidade de Negócio de Plataformas da empresa, conversou com a Knowledge@Wharton sobre o que a empresa pensa do futuro dos aplicativos na Internet, o desktop e handhelds móveis. Apresentamos a seguir uma versão editada da entrevista concedida por Lynch.
Knowledge@Wharton: A Adobe tem falado muito ultimamente sobre o que chama de “Plataforma de Integração Adobe”. É sem dúvida um termo de marketing inteligente, mas o que significa de fato?
Kevin Lynch: Prefiro tratar desse assunto sob a ótica da união da Adobe com a Macromedia. Eu fiz parte da equipe de integração das empresas. Nossa preocupação era com a missão de ambas, de que modo faríamos a união, e que valores comunicaríamos aos usuários finais.
Se você atentar para a missão da Macromedia na época, verá que ela estava relacionada com a experiência proporcionada ao cliente. O slogan da companhia era “a experiência faz diferença”. Na Adobe, nós nos preocupávamos muito com a questão da comunicação: tinha de ser a melhor — fosse pela imprensa escrita, televisada ou qualquer outro meio de comunicação existente.
Nessas reuniões de brainstoming, havia um momento em que perguntávamos: “Por que as pessoas fazem o que fazem?”, em vez de: “O que elas estão fazendo?” E a razão pela qual as pessoas fazem o que fazem, em nossa opinião, explica-se pelo fato de que desejam ter um relacionamento melhor com as demais pessoas; elas querem criar algo que seja envolvente. Quando você se envolve de verdade com alguma coisa, isto cria uma relação de intimidade profunda e amplia sua capacidade de compreensão.
É isso precisamente o que pretendemos que as pessoas façam — que se envolvam de verdade. Essa é a razão da união de ambos os softwares. Todas as nossas ferramentas, servidores, o software do nosso cliente e as estruturas do nosso desenvolvedor — tudo isso tem como objetivo ajudar as pessoas a se envolverem mais plenamente.
Chamamos a isso de “Plataforma de Interação”. Trata-se, basicamente, de uma coleção de softwares que pode ser utilizada para criar tais experiências e envolver as pessoas.
Knowledge@Wharton: Portanto, em vez de um produto único, o que se tem é uma série de produtos na empresa combinada?
Lynch: Certo. Não dá para entrar em uma loja e comprar a “Plataforma de Interação”.
Agora, com relação aos desenvolvedores, a palavra “plataforma” implica um conjunto de tecnologias que podem ser programadas, um conjunto de APIs [interfaces de programação de aplicativos]. A Plataforma de Interação contém de fato essas coisas. O ambiente em que roda o software do cliente, por exemplo, tem uma linguagem de programação compatível — o padrão ECMAScript. Nós o chamamos de ActionScript, no caso do em Flash; em HTML, ele é chamado de JavaScript, mas é a mesma linguagem. O conjunto de APIs em softwares como o Flex, por exemplo, trabalha com esse conjunto de tecnologia que, no fim das contas, encontra-se bem próximo do conceito tradicional de plataforma.
Estamos unificando os modelos de programação de clientes e servidores. Estamos racionalizando, por exemplo, o uso do LiveCycle [suíte de produtos para servidores] com serviços de dados Flex e Flash Media Server. Com o tempo, todos esses produtos serão mais compatíveis.
O mesmo vale para as ferramentas — há uma integração cada vez maior entre as interfaces do Photoshop e do Dreamweaver.
Knowledge@Wharton: Outra coisa sobre a qual o sr. tem falado bastante atende pelo codinome de “Apollo”. O que seria isso?
Lynch: É um novo aplicativo para uso do cliente. Hoje o Flash Player e o Adobe Reader contam com ampla distribuição e servem para rodar aplicativos em browsers de Internet e ler documentos eletrônicos. O browser foi de fato projetado para documentos e — com o grande volume de inovação que vem ocorrendo em torno da Internet 2.0 neste momento — as pessoas estão exigindo que ele tenha mais funções, o que para nós é muito bom.
Achamos que seria uma excelente oportunidade para proporcionar um ambiente de operação fora do browser. Assim, pode-se pegar o aplicativo de Internet utilizado no browser e usá-lo no desktop. Isto significa que é possível usar o aplicativo mesmo desconectado da Internet. Se você utiliza um aplicativo como o GMail, do Google, em seu software de finanças, poderá continuar a rodar o aplicativo e checar suas informações quando estiver desconectado. Tais aplicativos seriam extremamente úteis — de modo que haveria um ícone em sua área de trabalho sobre o qual você clicaria para iniciar o programa; ele apareceria no menu Iniciar como os demais aplicativos, e poderá ser removido com a ajuda dos programas Adicionar/Remover do Windows. Portanto, seria semelhante a um aplicativo de desktop, mas com tecnologia da Web.
Knowledge@Wharton: Com se trata de um aplicativo desenvolvido com tecnologia de Internet, ele seria capaz de rodar em ambiente Windows, Macintosh ou Linux?
Lynch: Exatamente, e sem problemas.
Knowledge@Wharton: A idéia da Adobe é que esse aplicativo funcione exclusivamente como plataforma para o desenvolvedor ou haverá produtos da empresa com aplicativos desenvolvidos para rodar no Apollo?
Lynch: Creio que a maior parte dos aplicativos que rodará no Apollo será desenvolvida por outras pessoas. Nada impede, porém, que tenhamos alguns produtos próprios.
O Breeze [aplicativo de conferência da Adobe para Internet] é um exemplo de aplicativo produzido pela Adobe e que funciona na Plataforma de Interação; ele roda no Flash. Portanto, deveremos produzir algumas coisas sim. Contudo, creio que — tal como a Web atualmente — haverá milhares de aplicativos diferentes desenvolvidos por projetistas e desenvolvedores do mundo todo, tanto dentro das empresas quanto individualmente.
Knowledge@Wharton: O sr. classifica o produto como plataforma de trabalho independente do sistema operacional. Isto não coloca a Adobe em rota de colisão com empresas que investem pesado na codificação do sistema operacional?
Lynch: Refiro-me especificamente a um aplicativo de Internet. Existem também , é claro, aplicativos de código nativo, como o Office, da Microsoft. O OS X, do Macintosh da Apple, possui inúmeros aplicativos nativos. Creio que todos eles continuarão a ser muito valiosos. São tremendamente importantes. As pessoas usam o Office o tempo todo.
Está surgindo, porém, um novo tipo de aplicativo ambientado na Internet. Para mim, trata-se de um novo meio. Ele não substituirá necessariamente um meio já existente. Quando a televisão apareceu, receava-se que ela fosse acabar com o rádio. O rádio, naturalmente, vai muito bem. Acredito que se trate apenas de mais uma técnica que as pessoas poderão usar para realizar seu trabalho. Ele não elimina outras opções disponíveis de desenvolvimento de aplicativos.
Knowledge@Wharton: Isto significa que haveria um espaço exclusivo para aplicativos que rodam no Apollo, isto é, certos aplicativos seriam compatíveis com o ambiente Apollo, enquanto outros seriam simplesmente aplicativos específicos de um determinado sistema operacional?
Lynch: Sim, creio que é isso mesmo. Haverá experiências que não extrapolarão o ambiente do browser; outras, de caráter mais ambicioso, deverão funcionar como se fossem aplicativo de desktop, porém desenvolvidas com tecnologia de Internet. Portanto, continuaremos a ter um amplo espectro de aplicativos que continuarão a tirar proveito do hardware específico da máquina do usuário, como os gráficos 3D de alta aceleração ou outras tecnologias mais avançadas. Jogos para vários jogadores, como o World of Warcraft, continuarão a ser escritos em código nativo, porque é preciso um aplicativo desse tipo, super-otimizado, para a máquina específica que você está operando.
Contudo, nem todos os aplicativos requerem toda essa magnitude. Poderíamos desenvolver um aplicativo de Internet que mostraria de forma igualmente satisfatória as suas finanças. Portanto, creio que haverá um espectro de opções.
Knowledge@Wharton: Que tipos de aplicativos mais sofisticados o sr. acha que o Apollo rodará? Seria possível dar algum exemplo?
Lynch: Claro, o Apollo é novo e, obviamente, ainda está em desenvolvimento. Estamos planejando colocá-lo à disposição dos desenvolvedores para testes no final do ano.
Todavia, os aplicativos que espero vê-lo rodar são do tipo que o usuário tende a usar mais do que outros. Alguns aplicativos utilizados na Internet são de natureza irregular — isto é, são utilizados apenas de vez em quando. Outros, porém, são utilizados várias vezes durante o dia — como o aplicativo de e-mail, verificação de carteira de estoque, comunicação com outros usuários ou análise do volume atual de vendas de um projeto no qual você esteja trabalhando.
Os aplicativos com os quais você tem mais familiaridade e que usa com maior freqüência serão os que terão o ícone correspondente no seu desktop; serão aqueles que você carregará e que consultará quando não estiver conectado à Internet. Em suma, são os aplicativos realmente importantes para o seu trabalho.
Quando você estiver offline, por exemplo, poderá escrever um e-mail. Isso é importante. Já uma consulta às últimas notícias é algo que pode esperar até que você esteja conectado novamente e possa utilizar o browser.
Portanto, o uso varia conforme o tipo de serviço desejado.
Knowledge@Wharton: O sr. acredita que chegará o dia em que o sistema operacional — conforme disse Bruce Chizen recentemente ao San Jose Mercury— se tornará “irrelevante”?
Lynch: [Risos] Acho que houve um certo exagero aí. É claro que o sistema operacional não é irrelevante. Ele é fundamental. É ele que faz todas as nossas máquinas funcionarem. Creio que seu futuro está mais do que garantido.
O fato é que surgirão novas oportunidades. Novas técnicas muito criativas estão vindo à tona. A Internet é palco de muitas dessas inovações. Portanto, é aí que pretendemos nos concentrar.
O espaço dos sistemas operacionais é um espaço sadio. Pode-se ganhar muito ganhar muito dinheiro com eles!
Knowledge@Wharton: Ainda nesse mesmo tópico, vale a pena lembrar que a Microsoft, especificamente, concorre com a Adobe em diversos frontes.
Lynch: É verdade.
Knowledge@Wharton: No segmento de ferramentas, há alguns produtos competitivos. No entanto, em um nível mais estratégico, o Windows Presentation Foundation (WPF) poderia ser uma plataforma competitiva. Qual a comparação que o sr. faz entre o Apollo, a Plataforma de Interação, e o Windows Presentation Foundation?
Lynch: De modo geral, a Adobe e a Microsoft são parceiras e também, em algumas áreas, concorrentes. Portanto, podemos encarar a situação com uma espécie de “coopetição” [cooperação e competição]. Somos um dos maiores desenvolvedores de software do mundo. Projetamos na plataforma Windows. O Vista vem aí, e vamos tirar proveito da funcionalidade dele também.
Com relação ao WPF, e ao que estamos fazendo com o Apollo, o WPF é uma estrutura para a elaboração de aplicativos em Windows. Portanto, se você estiver rodando um aplicativo no Windows, o apelo pode ser grande. Por exemplo, em vez de usar o Visual Basic [da Microsoft], pode-se usar o WPF. Acho que eles fizeram um trabalho excelente nesse sentido.
Agora, há um aspecto do WPF chamado WPF/E (Windows Presentation Foundation/Everywhere) que revela a intenção da Microsoft de levar o WPF a outras plataformas. Isso ainda não aconteceu. No passado, a Microsoft não conseguiu solucionar muito bem o cruzamento de plataformas com tecnologias. Ou, nas vezes que conseguiu, não foi capaz de levá-lo adiante.
O Internet Explorer, da Microsoft, por exemplo, rodava no Macintosh. Agora não mais. O projeto foi cancelado. O Windows Media para o OS X do Macintosh também foi cancelado.
Portanto, a Microsoft às vezes incursiona por outras plataformas, mas as pessoas não podem contar com isso.
Sob vários aspectos, não se trata de algo que interesse de fato a Microsoft. A empresa tem uma franquia Windows e sem dúvida gostaria de vender um bom número de sistemas operacionais. Assim, creio que se trata de um equilíbrio difícil de atingir para a empresa.
Temos uma dinâmica muito diferente. Nosso principal objetivo consiste em assegurar que as coisas fluam sem problema de espécie alguma em diferentes aparelhos e sistemas operacionais. Nosso tempo de execução é gratuito. Portanto, a motivação que temos para os negócios consiste em fazer com que ele seja empregado o mais amplamente possível — não estamos interessados em que você adquira um novo computador; pode usar o atual mesmo. Nosso propósito é nos tornarmos mais versáteis no Windows do que a própria Microsoft. O Flash Player será mais compatível com o Windows do que, por exemplo, o próprio WPF. Nós rodamos no Windows 98; o WPF, não.
Na verdade, nosso objetivo é alcançar esse nível de compatibilidade. Isto nos distingue da estratégia adotada atualmente pela Microsoft.
É claro que temos outros produtos que vendem bem por causa desse ecossistema — ferramentas, servidores e estruturas. Trabalhamos para que sejam os melhores do mundo, portanto esperamos que as pessoas os comprem. E é o que tem acontecido.
Knowledge@Wharton: Observa-se atualmente uma explosão de vídeos Flash. Vocês estão hoje em segundo lugar no segmento de vídeos online — atrás do formato Windows Media e à frente do Quicktime e do Real. Como foi que isso aconteceu tão depressa?
Lynch: O Flash Player, na verdade, está hoje em primeiro lugar no ranking dos tocadores de vídeo. Sua distribuição supera a do Windows Media, do Quicktime e a do Real. Isso explica, em parte, porque ele se tornou tão popular nesse segmento específico de conteúdo.
Antes, era preciso perguntar às pessoas que tocador elas gostariam de usar para assistir aos seus vídeos, ou que largura de banda utilizavam. Depois de várias perguntas, podia-se assistir ao vídeo. Agora, com o Flash Player amplamente disponível, parte-se do pressuposto de que você o tenha instalado em sua máquina. Com isso, podemos oferecer um produto de vídeo mais aperfeiçoado ao usuário final.
Essa é a razão pela qual observamos uma mudança radical em empresas que trabalham com vídeo, como a ABC, que transmite “Desperate Housewives” e “Lost” online em Flash. A marca que aparece é a da ABC, que não precisa questionar o usuário antes de disponibilizar o vídeo. Funciona e ponto final.
Além disso, pode-se ter interatividade — coisas como elementos de interface do usuário ou opções de menu — acoplada ao vídeo exibido. Com isso, tem-se mais flexibilidade no tocante ao que pode ser criado.
Esses são os fatores — a ampla distribuição do tocador, uma marca forte e uma interface flexível — que fazem do Flash a melhor solução para vídeo. As pessoas estão começando a perceber isso.
Knowledge@Wharton: Atualmente, o Flash é a única solução para os vídeos vistos online. Não é opção, entretanto, para os vídeos baixados por download. O produto não conta com um esquema de gestão de direitos digital (DRM) embutido. Vocês pretendem acrescentar isso?
Lynch: Bem, a situação é um pouco mais complicada. É possível fazer o que se chama de download progressivo do Flash em sua máquina e depois exibi-lo na própria máquina. A maior parte das pessoas não faz isso, mas é tecnicamente viável. Esse vídeos não têm nenhum tipo de gestão de direito digital embutido — o que talvez explique o fato de que muitos não sejam distribuídos dessa forma.
Estamos em busca de todas as alternativas possíveis para que as pessoas possam controlar o conteúdo que recebem. No entanto, estamos muito atentos também as direitos dos indivíduos que assistem a esse conteúdo. Nossa maior preocupação é fazer a coisa certa para as duas partes.
Tudo o que fazemos com o Flash Player tem como proposta básica a incorporação definitiva ao produto. Portanto, temos de ser cautelosos com o que acrescentamos em razão das capacidades de DRM.
Trata-se de um tópico que pretendemos discutir seriamente com nossos parceiros.
Knowledge@Wharton: No passado, a Adobe, e antes dela a Macromedia, preocupou-se muito com o segmento de aparelhos móveis. Recentemente, vocês introduziram uma nova versão do Flash Lite. No entanto, a concorrência é com o Java, cuja base instalada é maior nos EUA. Que comparação o sr. faz entre as duas tecnologias, e de que maneira a Adobe pretende competir no setor de aparelhos móveis?
Lynch: O Java está presente em grande número de aparelhos móveis atualmente. O sistema se antecipou ao Flash na telefonia móvel e fez um excelente trabalho de distribuição.
Embora o Flash Player tenha entrado em cena depois do Java — com o chamado Flash Lite nos celulares —, sua distribuição hoje é simplesmente fantástica. Temos contratos com os principais fabricantes de aparelhos móveis e com as principais operadoras para distribuição do Flash em telefones móveis. O que se pode fazer com o Flash é realmente fantástico.
O Java entrou precocemente na telefonia móvel através de diversas etapas diferentes. Portanto, o projeto tem problemas de compatibilidade.
Em razão disso, o software se tornou muito comum, mas falta a ele estabilidade. Para criar aplicativos Java que funcionem em aparelhos móveis, é preciso testá-los inúmeras vezes — mais de cem vezes — para que funcionem satisfatoriamente. Portanto, não se trata de sistema muito estável.
Estamos tentando obter uma estabilidade maior para o Flash — o que nos toma mais tempo, mas temos a expectativa de proporcionar uma base mais sólida para que o usuário crie o conteúdo desejado.
Knowledge@Wharton: Isso não seria parte do desafio? As portadoras não se oporiam fortemente a uma plataforma com portadora e aparelhos independentes?
Lynch: Bem, as portadoras com as quais trabalhamos preocupam-se bastante com o relacionamento que mantêm com seus clientes e com a visibilidade da marca. Quaisquer que sejam as tecnologias que venham a utilizar para esse fim teriam de fazer jus a esse objetivo.
O Flash pode ajudá-las a expor melhor sua marca e a reduzir o custo de criação de marca para os aparelhos. Observamos um enorme interesse delas por isso.
O Java e o Flash não são concorrentes diretos no segmento de aparelhos móveis. Há telefones móveis com ambos os aplicativos. Não é questão de opção por um ou por outro. Existe a possibilidade de que as pessoas utilizem as duas tecnologias juntas. Creio que as pessoas começarão a utilizá-las em conjunto cada vez mais, na medida em que compreenderem as possibilidades de cada uma delas.
Knowledge@Wharton: Qual seria o maior desafio da Adobe atualmente?
Lynch: Estamos trabalhando para resolver os maiores desafios técnicos enfrentados pela empresa: fazer com que o ambiente em que nosso software roda deixe de ser principalmente de animação. Queremos rodá-lo em aplicativos também.
É um desafio no qual temos trabalhado há algum tempo. Passamos os últimos anos reescrevendo a máquina virtual, o Flash Player, o que exigiu um grande empenho da nossa parte. Apostamos alto na transição em andamento.
É fundamental para o sucesso da empresa que sejamos bem-sucedidos na expansão do Adobe, tornando-o mais do que uma ferramenta para projetos e para o desenvolvimento da Internet. É preciso fazer dele ferramenta para o desenvolvimento de aplicativos, ambientes e servidores.
É o que já começamos a ver neste momento. Creio que fizemos um ótimo trabalho com o novo Flash Player e com a nova versão do Flex.
Esse tem sido nosso maior desafio, e creio que estamos nos saindo bem. A expectativa agora é em relação à utilização que os clientes farão dessas inovações.
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