Brasil: desafios sociais, progresso econômico

O Brasil se esforça para superar problemas que não lhe dão trégua, como a pobreza e a corrupção, além de uma economia que parece, às vezes, acuada. Apesar disso, esse país de 186 milhões de habitantes consegue impor respeito e atrair a atenção não só da América Latina - por suas dimensões evidentes -mas também de muitos outros países do mundo desenvolvido. Em nossa seção especial sobre o Brasil, analisamos os vários graus de sucesso das reformas de livre mercado implementadas no país, os desafios enfrentados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o papel do Brasil nas negociações do comércio global em Hong Kong e o debate sobre os direitos de propriedade intelectual na indústria  médica, da música  e do software. Examinamos também o setor automobilístico, surpreendentemente forte no Brasil, e a tensa aliança entre os fabricantes de remédios genéricos e a grande indústria farmacêutica em um país onde, para muitos, as necessidades sociais são tão importantes quanto o lucro.



Brasil: “campo de prova” para a continuidade das reformas de livre mercado na América Latina
Muitos países latino-americanos, depois de tentar subjugar a inflação galopante e acender a centelha da prosperidade econômica por meio da adoção dos princípios do livre mercado incentivados por Washington nos anos 1990, não ficaram satisfeitos com o resultado. Isto significa que esses países estariam retomando as velhas políticas populistas de esquerda? Ou será que os líderes da região continuam em grande parte comprometidos com a democracia e com as reformas de mercado, apesar de sua decepção com o ritmo das mudanças? Os especialistas dão respostas diferentes a essas perguntas, mas concordam em um ponto: Brasil, México e Chile estão menos inclinados do que seus vizinhos a lançar mão novamente de estratégias populistas, pelo menos por enquanto.

As duas faces da propriedade intelectual no Brasil
Em março passado, o governo brasileiro ameaçou quebrar publicamente as patentes de quatro anti-retrovirais se as empresas internacionais  que fabricam os medicamentos não concordassem em permitir que o Brasil produzisse equivalentes genéricos ou comprasse as drogas patenteadas a preços promocionais. O setor farmacêutico, porém, não é o único em que Brasil e EUA têm digladiado em torno de questões ligadas à propriedade intelectual (PI). Em abril passado, o governo americano deu ao Brasil um ultimato para que o país tomasse medidas no sentido de reprimir a pirataria generalizada de CDs, vídeos, software e outros produtos de PI protegida sob pena de perder seu status comercial de nação mais favorecida. Contudo, a despeito da postura de confronto do governo brasileiro nessa questão, alguns especialistas dizem que o país fez recentemente alguns avanços significativos na área de reforma da PI. O objetivo — conforme demonstrado por ocasião do lançamento de um novo antiinflamatório, o Achéflan, consiste em promover de forma mais adequada a inovação tecnológica no mercado.

Corrupção e economia se aliam para pressionar o governo do presidente Lula
Os escândalos de corrupção no Brasil não dão trégua ao presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e ao governo do Partido dos Trabalhadores (PT). A popularidade do presidente continua caindo vertiginosamente e, em outubro, chegou a 46,7%, ante 50% do mês anterior, o pior resultado desde que Lula chegou ao poder há cerca de três anos. Pior ainda é a situação do governo, já que apenas 31,1% dos brasileiros confiam em sua gestão, enquanto em setembro eram 36%. A política econômica também está contribuindo para alimentar o descontentamento da opinião pública. O crescimento do PIB recuou no terceiro trimestre e é projetada uma redução da expectativa de avanço do PIB anual. Enquanto isso, as taxas de juros seguem altíssimas. A pergunta que fica é a seguinte: Lula conseguirá recuperar a credibilidade perdida antes das eleições presidenciais dentro de dez meses?

Luzes e sombras sobre a indústria automobilística brasileira
A indústria automobilística brasileira vai encerrar 2005 com um novo recorde de produção de veículos, com 2,45 milhões de unidades, o que equivale a um crescimento de 11% em relação a 2004, segundo estimativa da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Grande parte deste resultado se deve ao crescimento significativo de 29% nas exportações, enquanto o mercado interno registra um avanço bem menos expressivo, de meros 5% no ano. Apesar desse resultado importante, as perspectivas para as montadoras não são tão animadoras para 2006, já que há alguns meses o real mantém-se valorizado em relação às demais moedas - o que dificulta as vendas externas - e o mercado interno ainda sofre com uma das mais altas taxas de juros do mundo (com a Selic - a taxa básica da economia - fixada em 18,5% ao ano). Além disso, os analistas entendem que o crescimento da economia não permite grande melhora no poder aquisitivo da população ou a geração de muitos empregos. É aquele dilema: há o que comemorar, mas a cautela indica prudência diante dos dias futuros.

Medicamentos genéricos no Brasil: uma pílula difícil de engolir para a grande indústria
A introdução dos medicamentos genéricos no Brasil há cinco anos transformou a indústria farmacêutica do país. Desde então, este tipo de fármaco foi ganhando mercado ano após ano e, atualmente, é responsável por 11,6% do total de unidades de medicamentos produzidas no país. Este fenômeno estimulou o crescimento da indústria nacional, diminuindo a participação dos grandes laboratórios internacionais e seus produtos de marca no mercado doméstico. No entanto, esta não é a única ameaça que afeta os grandes laboratórios com presença no Brasil. O governo, numa tentativa de negociar descontos de preços, ameaça violar as patentes dos medicamentos que compõem o coquetel para o tratamento da AIDS. Até o momento, esta ameaça não se materializou, mas, de acordo com as empresas internacionais, provocará a redução de investimentos da indústria farmacêutica no país.

O Brasil pode desempenhar um papel de liderança na atual rodada de conversações sobre o comércio global?
Enquanto os ministros do Comércio das principais nações industrializadas do mundo preparavam-se rapidamente para participar de uma série de reuniões cruciais em Hong Kong, onde pode ser decidido o destino da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio, buscavam ao mesmo tempo fazer contato com alguns dos maiores e mais influentes países em desenvolvimento, como Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul. Como já era de esperar, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva aparece à frente das delegações comerciais latino-americanas em suas tentativas de forçar os EUA, a Europa e outras nações industrializadas a fazer cortes profundos nas tarifas e subsídios concedidos à agricultura. A existência dessas medidas protecionistas faz com que países emergentes como o Brasil, cujo desenvolvimento econômico é mais urgente do que nunca, deparem com dificuldades na hora de vender seus produtos agrícolas aos países ricos.




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